Passarinho

Pequena metade minha que voa pelo céu
No dia em que você voltar eu vou ser inteira de novo;
Pequeno sonho que cresce longe de mim
Um dia você crescia em meu coração;
Teu corpo acalenta meu corpo e descansa em meus braços
Dormindo sob o meu peito (…)
Pequena gota que me transborda
Pequena prece que me consola
Eu te esperei e você mudou de caminho de última hora
Enquanto eu decorava meu futuro em uma sala com a cor dos teus olhos,
Eu sei, você se despediu sem existir
Enquanto eu me acostumava com a sua companhia;
Voa pequeno passarinho
Nas nuvens do meu coração você viaja
E no céu do meu pensamento você habita
Pequeno sonho meu
Pequena rosa que não desabrochou
Pequeno coração que não bateu
Pequeno centelha que não brilhou
Pequeno barquinho que flutuou no meu ventre
Pequeno,
Meu Pequeno passarinho (…)

 

 Mulher-olhos-fechados

 

 

 

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Semente

 

Você levou um pedaço meu que eu nem ao menos sabia que existia,
Algo quebrou dentro de mim
Algo me escapou pelas mãos
Uma gota caiu do céu e inundou meu corpo inteiro
Meu coração duplicou de tamanho
Cresceu, cresceu
E depois explodiu em mil pedacinhos
E de um infinito de possibilidades eu fiquei sem nenhuma delas
E de um oceano inteiro eu fiquei com uma partícula
E me afoguei
O sonho que eu não sonhei
O amor que eu não vivi
A semente que não germinou
Foi só um sopro em meio de uma ventania
E na pequena ilha no meio do oceano
Eu sentei e esperei
E esperei e esperei
Você desaparecer
(…)

 

O Caminho Estreito Para Os Confins Do Norte – Richard Flanagan

Confesso que por muito tempo tive receio de iniciar O Caminho Estreito Para Os Confins Do norte e já nas primeiras páginas tal receio se acentuou. Mas é aquele tipo de livro que com o fim da leitura você consegue sentir sua grandiosidade, você respira fundo e agradece a si mesma por ter lido. Meu apreço por esse livro foi gradual, vi crescendo a cada capítulo um respeito pela leitura. A narrativa fragmentada dificulta no início da leitura, mas com o passar dos capítulos você se habitua e a leitura flui tranquilamente e você se rende à beleza de uma narrativa que permeia entre passado, presente e futuro.

E nessa narrativa que dança de momento a momento nos transportando ora ao passado, ora ao futuro e ao presente, como se estivéssemos visitando nossa própria memória, conhecemos Dorrigo Evans. Dorrigo, médico-cirurgião e oficial do exército australiano foi feito prisioneiro de guerra pelos japoneses na construção da ferrovia que ligaria a Tailândia ao Myanmar, conhecida como a Ferrovia da morte, na Segunda Guerra Mundial. Em meio a uma rotina de tortura e luta por sobrevivência Dorrigo atenua seu sofrimento com as lembranças de Amy, esposa de seu tio com quem tivera um envolvimento amoroso antes de partir.

O interessante do livro é que ele nos faz analisar os efeitos da guerra não só nos prisioneiros como também em seus “algozes”. Ou seja, ele desmistifica a ideia de que somos completamente bons ou completamente maus e nos trata como humanos. Um exemplo disso é como Dorrigo, conhecido como Amigão pelos seus companheiros prisioneiros, é visto como um herói de guerra, título que ele renega. Não há heróis ou vilões nessa história. Outro exemplo é quando a narrativa nos lança para o futuro onde guardas japoneses são julgados e condenados pelos crimes de guerra, nesse ponto Flanagan nos presenteia com algo além do óbvio ao nos apresentar a guerra e suas consequências por outros pontos de vista.

“O horror não tem forma nem significado. O horror apenas é.”

Mais de 250 mil pessoas foram envolvidas na construção da ferrovia da morte, estima-se que o numero de mortos seja em torno de 100 mil. As cenas descritas no livro são cruas, fortes e me deixaram aflita e enojada em diversas passagens. O pai de Richard Flanagan foi um sobrevivente da construção da estrada de ferro o que com certeza contribuiu para a construção da narrativa tão palpável e real de um dos episódios mais brutais da Segunda Guerra Mundial.

Para aqueles que apreciam leituras ambientadas na Segunda Guerra Mundial não pode deixar de ler esse livro onde é apresentada a cultura oriental, algo que eu ainda não tinha tido chance. Mas não é um livro que eu recomende somente aos amantes desse tipo de enredo e sim para aqueles que se permitem se envolver em uma grande narrativa: ora tensa, ora sedutora mas com certeza uma grande história.

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Resenha: Sorrisos Quebrados – Sofia Silva

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Olá amigos leitores, tudo bem com vocês?

Hoje venho trazer a resenha de Sorrisos Quebrados da autora portuguesa Sofia Silva publicado aqui no Brasil em 2017 pela Editora Valentina. O livro é narrado em primeira pessoa, intercalando capítulos no ponto de vista dos personagens centrais, Paola e André.

Inicialmente publicado na plataforma online Wattpad, Sorrisos Quebrados faz parte da série Quebrados, composta por histórias que giram em torno de violência doméstica, deficiência física e abuso sexual.

Paola é uma mulher marcada, tanto fisicamente quanto psicologicamente, pelos traumas sofridos em um casamento abusivo. Com um marido considerado perfeito por todos, Paola se sente a mulher mais sortuda do mundo por ter sido escolhida dentre tantas outras pelo Roberto ou pelo menos é assim que todos dizem que ela deve se sentir. O que era considerado perfeito com o passar do tempo vai se revelando um verdadeiro tormento. Paola se vê presa em um relacionamento infeliz e sofrendo agressões físicas e psicológicas de um homem perturbado. Decidida a fugir de uma vida de tormento ela acaba sendo vítima de um ataque ainda mais traumático. Presa em uma coleira e amarrada em um canil após ser espancada, Paola é atacada por um dos Pitbulls do marido. Seis anos depois ela carrega as marcas do ataque, agora com metade do rosto desfigurado e cicatrizes espalhadas por todo o corpo. Ela luta para se recuperar em uma clínica que hospeda pacientes com diferentes traumas.

Sol é uma garotinha de quatro anos de idade que sofre com problemas de socialização devido traumas que viveu no passado. Pacientes da mesma clínica, Sol surpreendentemente sente uma forte conexão com Paola e as duas passam a nutrir uma linda amizade curando as feridas uma da outra. E com essa amizade tão repentina Paola acaba se aproximando de André, pai da Sol.

André também é um personagem que carrega seus próprios traumas e dores mas eles só são revelados aos poucos. E seu relacionamento com sua filha é um dos pontos mais tocantes do livro.

Com um prólogo agonizante, Sorrisos Quebrados inicia uma escrita fluída e de rápido desenvolvimento, o que me incomodou em um determinado momento mas falarei sobre isso mais adiante. Devo dizer que a leitura acabou me levando para um outro caminho de certa forma diferente do que eu imaginava anteriormente. O livro trata de questões bem sérias e pesadas mas com uma certa leveza e primeiramente acreditava que a autora exploraria mais profundamente os perfis psicológicos dos personagens traçando de uma forma mais densa e intensa seus traumas e sequelas. Mas tudo isso foi traçado de uma forma diferente, embalado pelo desenvolvimento e nascimento de um romance entre Paola e André. Não posso dizer que isso me incomodou mas sim que a autora usou um outro caminho e que acabou conquistando o leitor de uma outra forma.

A poesia do renascimento do amor e superação de perdas e traumas, narradas de forma apaixonante e fervorosa, nos lança em um redemoinhos de emoções que torna o livro especial em sua maneira. Talvez o que tenha deixado a desejar em minha opinião tenha sido a falta de perfil mais detalhado dos problemas de socialização da Sol e uma passagem tão rápida entre a mudança dos sentimentos da Paola em relação ao André, ou mais ainda na conscientização da personagem de que ela foi vítima e não culpada pelos abusos que sofreu por Roberto como ela afirma em diversas passagens do livro.

A luta da Paola em tentar colorir com suas tintas e pinturas toda a escuridão que ainda a cerca por todos os lados vale a leitura de cada página. Super Recomendo essa que foi a minha primeira leitura de 2018.

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Resenha: Escola dos Mortos – Karine Vidal

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Sinopse: Lara Valente irá morrer. Mas sua história não termina por aqui. Pelo contrário: é aí que ela começa.
A jovem carioca será enviada para um misterioso internato na Inglaterra. Mas o lugar esconde um segredo. Lara se deparará com vozes de gente morta gravadas, assassinatos misteriosos no colégio, meninas mortas que ainda moram nos quartos, e um despertar assustador num caixão. Tudo isso vai leva-la a descobrir que, por trás da fachada da Escola dos Sotrom, existe uma Escola muito mais perigosa, cheia de segredos, pactos e mortes. Nessa Escola repleta de ocultismo, Lara será assassinada. Mas sua história não terminou. Ela acordará em em mundo paralelo, em universo glamouroso onde vive a nata dos melhores, escolhidos à dedo pela Morte. A Escola dos Mortos abriga os que foram assassinados e enviados para lá. Uma sociedade escondida em que existem apenas os melhores, coexistindo em segredo com a escola dos vivos. Adolescentes mimadas, carros luxuosos, segredos escandalosos, campeonatos, corridas e caçadas.
Lara irá se apaixonar por um homem perigoso. Luka Ivanovick, com seus olhos negros, hostis e arrogantes – repletos de ocultismo e falta de respostas. Através dele, Lara descobrirá a cruel história por trás de sua morte.  Paixão, mistério e um jogo de sedução escuro e apimentado irão acontecer entre o mundo real e o misterioso mundo noturno da Escola – até Lara descobrir que, dentro dos caixões, os mortos daquele lugar nunca dormem.

Lara Valente não vê  e nem sabe do paradeiro do pai desde que era criança. Mora com sua mãe e irmã caçula no Rio de Janeiro e de repente descobre que tem uma herança milionária lhe esperando deixada por um avó que nunca conheceu. A única condição para que ela e sua família possam desfrutar da herança é que ela se mude imediatamente para Inglaterra e estude por mínimo um ano em um internato nos arredores de Londres chamado Sotrom.

Lara decidida a receber a herança parte para a Escola o quanto antes. Mas logo de cara percebe coisas muito estranhas acontecerem no local. A Escola exige toque de recolher a partir das oito horas da noite. Qualquer aluno é permanentemente proibido de andar pelos corredores da escola ou qualquer aposento após o toque de recolher sob pena de expulsão imediata. Celulares são proibidos e o único meio de comunicação é através de cartas sujeitas a passarem por vigilância e aprovação da direção da Escola.

A personalidade da Lara brilha assim que ela se instala no ambiente hostil da Escola, em contraste com a dos outros alunos. Sempre apáticos e contidos os alunos da Sotrom parecem tentar se esconder de algo misterioso. Lara percebe muito tarde que quanto mais se destaca dos outros alunos maior perigo ela corre: perigo de morte.

Atacada por um assassino de quem ela não consegue ver o rosto, Lara morre após ser jogada do alto de um penhasco. É aí que a estória termina?? Não, pelo contrário. É aí que ela começa. Lara desperta em um mundo paralelo, o mundo dos Mortos. Uma escola onde os alunos são o oposto da Escola Sotrom. Onde reina a curtição, a badalação. Um lugar onde a personalidade da Lara pode brilhar em paz. Um lugar chamado Escola dos Mortos onde quem dita às regras é a própria Morte.

As coisas ficam ainda mais interessantes, quando um garoto misterioso dono de um avassalador par de olhos negros faiscantes (pausa para os suspiros) intrigantemente parece se mostrar interessado na nova aluna da Escola na Noite. O nome desse par de olhos de arrancar o fôlego é Luka Ivanovick. Meninas do meu Brasil acreditem em mim, vocês vão suspirar por esse nome.

Todo o mistério envolvendo esse bad boy mal encarado e sua família vai apimentar boa parte do livro.  Acontece que esse russo atraente vai despertar diversos sentimentos não só na Lara como em nós leitoras. Primeiro você pode pensar que ele é um louco possessivo e doentio, mas garanto que até o final do livro você já esteja se derretendo por ele.

Gosta de romances clichês? Então se joga porque esse é o livro perfeito pra você! Escola dos Mortos é uma saladinha de referência a livros como Crepúsculo e Jogos Vorazes, mas não para por aí, o livro é mais do que isso. Ele tem um ambiente próprio e envolvente que te faz literalmente vidrar em cada página.

A escrita da Karine Vidal é fluida e instigante, e a história tem tantos ápices quanto merece um romance adolescente, fazendo nossos corações palpitarem diversas vezes. Fiquei me questionando onde o final me levaria, mas preciso dizer que tudo é bem amarradinho. Isso é muito bom pois não temos nenhuma ponta solta com o fim do livro, mas acredito que a estória ficaria muito bem distribuída em dois volumes ao invés de um só.  Nada disso torna o livro cansativo. Literalmente eu não consegui largar o livro e devorei tudo em dois dias e ainda quis mais. Todo o crédito para a autora que construiu um mundo tão envolvente e inebriante.

Houve só um momento do livro em que me sentia como se estivesse despencando do alto de uma montanha russa e fiquei muito preocupada em me decepcionar com a leitura logo no final. Quando um momento a lá Jogos Vorazes criou forma, nesse ponto do livro fiquei muito apreensiva porque até o momento a leitura não tinha me desapontado em nada (passei quase a noite inteira em claro devorando o livro!!). Mas confiei na autora e me joguei na leitura. Confesso que foi a parte do livro – a única parte diga-se de passagem -que não gostei muito. Mas Karina não me decepcionou, tudo desenrolou bem no final e se encaixou como um quebra-cabeças.

Afinal o que pode-se dizer de um livro que consegue arrancar surtos de risos, gritinhos de aprovação e de protesto, bramidos e exclamações durante toda a leitura? Acredito que desses tipos de livros só podemos dizer uma única coisa: cumpriu seu papel direitinho!

 

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Boa leitura!

 

Respira

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Quando sentir vontade grite,

quando quiser correr, corra

Se quiser chorar, chore

Abra os olhos mais uma vez

Trago flores para você

Por favor continue a respirar;

Respire

Grite

Corra

Chore

Se quiser me amar, me ame

Se quiser  falar, fale

Se puder sorrir, sorria;

Ame

Fale

sorria

Trago meu abraço para o seu corpo frio

Te esquento

Te acalento

Te lamento

Tuas mãos escorregam vazias

Nas camadas finas da  escuridão,

Tua pele, casca fria

Tua imagem, um borrão

Teus olhos, águas paradas

Teu desespero inteiro dentro de uma imensidão

Trago seu brilho que você esqueceu

Carrego seus sonhos que você perdeu

Te lembro os amores que você viveu

Aguente firme em seu coração

Respira,

Por favor respira

Brilhe

Sonhe

Viva

por favor, VIVA (…)

Sempre Soube

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Eu sempre achei que fosse você e eu desde o começo

Sinto seu cheiro sempre que respiro

Vejo sua imagem na minha cabeça sempre que fecho meus olhos

Sempre foi você e eu em meus sonhos que eu tanto queria que fossem reais

Estou apaixonado desde que te vi pela primeira vez

Querida há tempos quero te dizer, eu amo você desde que usava fitinhas no cabelo

Seu sorriso é o melhor remédio nos meus dias tristes

Eu te amo desde que você corria atrás de mim com seus sapatinhos vermelhos e eu puxava seu cabelo

Eu sempre soube que um dia você seria minha mulher,

Querida eu sempre soube, desde que eu era um garoto e você uma garotinha

Houve um lindo dia em que eu te chamei para dançar e estendi minha mão

você se enlaçou em meus braços e eu fui o homem mais feliz do mundo

Eu sempre soube querida, eu sempre soube que era você

 

by ksouza